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26 de maio de 2019

Como foi a prisão do homem apontado como um dos matadores de pai e filho em Estância Velha

Por cerca de um mês, Davi dos Santos Mello, 20 anos, conseguiu se esconder da Polícia Civil. Apontado como um dos autores do assalto a joalheria de Estância Velha, que terminou com a morte de pai e filho, o homem vinha sendo procurado pelos investigadores desde o dia 22 de abril, quando a prisão preventiva foi decretada.

Pretendia se refugiar na Argentina. E foi no país vizinho que acabou sendo preso no último sábado (18). Chegou ao Rio Grande do Sul na madrugada desta quinta-feira (23), depois de ser entregue às autoridades brasileiras em Foz do Iguaçu, no Paraná, na terça-feira (21).
Mello foi encontrado pelos policiais argentinos em San Vicente, na província de Missiones. Em entrevista coletiva na quinta-feira (23), a Polícia Civil gaúcha afirmou que foi por meio de uma denúncia anônima, pelo telefone, que as autoridades do país vizinho souberam que um foragido brasileiro estaria em um Peugeot prata, com a esposa, o filho e um tio, que moraria no país vizinho. O carro seria de um taxista, que fazia a corrida, mas que, conforme os policiais, não sabia que estava envolvido em uma fuga.

— Por ser o único com mandado de prisão, só ele foi detido — diz o delegado de Estância Velha, Marcio Niederauer, salientando que “outras pessoas serão indiciadas”, mas sem detalhar se a investigação seguirá sobre os parentes.

Desde a prisão, uma série de trâmites foi necessária para confirmar que se tratava de Mello e trazê-lo ao sistema prisional gaúcho. Policiais de Três Passos, na fronteira, com quem os agentes argentinos têm boa relação, passaram os dados do foragido, que não portava
documentos no momento da captura.

Uma foto das digitais do preso foi tirada e enviada ao Instituto-Geral de Perícias (IGP), que confrontou com o banco de dados para confirmar que se tratava da mesma pessoa. O documento do IGP é necessário para que haja a extradição. O nome de Mello também teve de ser registrado na lista de procurados da Interpol para facilitar o envio dele ao Brasil.

— O nome dele foi incluído após a prisão porque não sabíamos antes que ele estava fora do país — explica o titular da 3ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana, delegado Eduardo Hartz.

A Polícia Civil acredita que Mello tinha intenção de se refugiar na casa do tio que estava com ele no momento da prisão.

— O tio é nascido e vive lá, por isso, o interesse em ir para a Argentina —afirma Niederauer, sem precisar onde Mello estaria escondido antes de fugir do Brasil.

Homem nega envolvimento, mas entra em contradições
Em depoimento na tarde de quinta-feira (23), Mello negou envolvimento no duplo latrocínio. Disse aos policiais que estava na Argentina havia três meses e, portanto, não estaria no Brasil no dia do crime. O delegado contou que ele preferiu manter-se em silêncio quando os agentes lhe fizeram algumas perguntas e, mesmo assim, entrou em contradições.

— Disse que estava na Argentina há três meses, mas não sabia nem o nome da cidade na qual estava — contou Niederauer.

O preso se negou a colher material genético para confrontar com o que foi encontrado na cena do crime o que, na avaliação do delegado, não condiz com o comportamento de alguém que se diz inocente. Além disso, Mello não poderia ter saído do Brasil porque deveria cumprir pena em prisão domiciliar. Condenado por roubo em outra ocasião, deveria ser vigiado por meio de tornozeleira eletrônica, que não chegou a ser instalada.

Mello morava em Novo Hamburgo. Ele foi reconhecido em imagens de câmeras da joalheria. Testemunhas contaram que viram ele em barbearia de São Leopoldo dias antes do assalto ao lado do outro detido pelo crime, Rafael dos Santos Domingues, 19 anos. Teriam cortado o cabelo e até maquiado a mão para não serem identificados. Eles teriam atirado em Leomar Jacó Canova, 59 anos, e Luis Fernando Canova, 35, em assalto a loja a família. A previsão é que o inquérito seja concluído em até uma semana, com indiciamento por latrocínio (roubo com morte).

Fonte: GaúchaZH

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